O BRASÃO DO CONCELHO
A uma fisionomia nova da vida colectiva e da jurisdição municipal tem de corresponder evidentemente um emblema novo.
As armas modernas foram elaboradas com superior critério cientifico de harmonia com os progressos de heráldica e com as circunstâncias actuais do concelho. Exprimem a moderna feição da vida local e evocam ao mesmo tempo muitas recordações históricas e urna tradição popular milenária.
São constituídas por sete fitas onduladas alternativamente de azul e prata, um escudo bordado de oito frutos de pinheiro, em oiro sobre fundo negro, e encimado por urna coroa de torres.
As figuras do brasão municipal moderno são:
* as fitas
ondeadas
* as pinhas de oiro
Os
timbres são: uma coroa mural uma divisa
Os esmaltes são: dois metais - oiro e prata, e duas cores - azul e
negro
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As pinhas simbolizam as florestas de pinheiros que cobrem a maior parte
do concelho. |
Sob o ponto de vista geográfico e paisagístico e bordadura negra carregada de pinhas com o campo central de faixas de prata e azul exprimem bem a configuração do nosso concelho:
Ao centro uma extensa várzea baixa, de terra húmida, sulcada de importantes correntes de água, sob uma atmosfera frequentíssimamente nevoeirenta; à periferia uma extensa orla de montanhas e pinhais, varridos por ventos quase perpétuos: a aragem gélida que sopra de manhã da Serra da Estrela e a brisa forte que vem à tarde do lado do mar (a cor azul significa particularmente o vento oeste).
Sob o ponto de vista da economia local o brasão moderno do município é bem
expressivo.
As pinhas de
oiro, o mais precioso dos metais heráldicos, significam que os pinheiros
constituem pela indústria de madeiras e pela exportação de resina a maior fonte
de riqueza do concelho.
As faixas de
prata significam que a várzea central e as ribeiras satélites constituem, pela
fertilidade e os cursos de água lhe conferem, outra base importante da riqueza
local.
Sob o ponto de vista dos precedentes heráldicos locais, o oiro, a prata e a cor
azul das armas municipais modernas evocam em esmaltes o sol, a lua e a estrela
da manhã que se viam em figura no antigo brasão dos donatários da vila.
Sob o ponto de vista das evocações históricas a linguagem simbólica dos esmaltes
e das figuras não é menos eloquente.
A
coroa e divisa inculcam nobreza - e de facto a nossa vila pertenceu
sucessivamente, no decurso de 500 anos, a três das famílias mais nobres de
Portugal.
O pinheiro simbolizado ao mesmo tempo em figura e em esmalte, pelos
seus frutos e pela cor negra, foi desde a mitologia grega o emblema da
perpetuidade inalterável, em razão da persistência da sua folhagem sempre verde.
É portanto bem adequado ao nosso concelho que desde 748 anos conservou ininterruptamente as suas regalias municipais, a mesma denominação, os mesmos limites aproximadamente, a mesma fisionomia paisagística, demográfica e étnica.
A
cor azul evoca o mês de Setembro no simbolismo convencional dos esmaltes
heráldicos.
Foi precisamente nesse mês de Setembro, que o esmalte azul recorda,
a concessão, aos «homens de Mortágua» «que a povoassem e viessem a povoar para o
futuro», da nossa primeira Carta de foro pela rainha D. Dulce em nome
de D. Sancho 1. (Setembro de 1192).
A prata simboliza o mês de
Fevereiro e foi mesmo no mês de Fevereiro de 1354 que a mesma vila foi doada à
Infanta
D.
Maria, filha de D Pedro 1, doação que iniciou a série, ininterrupta até 1833,
das doações da nossa terra a representantes da mais alta nobreza.
A cor azul significa realeza e efectivamente a nossa viveu sob o
domínio imediato dos reis durante duzentos anos - ao mesmo tempo que parte do
concelho esteve vinculada sempre, à família real desde o principio da monarquia
até à extinção dos vínculos (reguengo do Sobral).
O oiro
simboliza o mês de Julho e era o esmalte dos cavaleiros que se propunham a
derramar até à última gota o seu sangue pelo seu soberano. E assim fizeram os
homens de armas de Mortágua em Alcácer-Quibir, exactamente no mês de Julho,
morrendo com o seu jovem comandante, D. Afonso de Noronha, e com o rei, D.
Sebastião.
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A prata e o oito eram os esmaltes dos que se propunham a socorrer os pobres, a amparar os órfãos, a defender as donzelas... e em verdade a nossa vila, tão pequena e outrora tão pobre, fundou e manteve quase até ao nosso tempo uma Misericórdia, cujos fins eram precisamente os indicados. |
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Sob o ponto de vista psicológico o oiro, a prata, o negro significam a modéstia, a simplicidade, a riqueza e a formosura... Quem poderia caracterizar melhor em cifra heráldica a modesta simplicidade do viver de todos nós, a singular fertilidade do nosso solo a apreciável beleza da nossa várzea verdejante emoldurada num horizonte austero de montanha?
Em
última análise, quase podemos ver nas armas municipais modernas de Mortágua um
emblema falante da vila e concelho, embora tal interpretação não se subordine
rigorosamente aos cânones heráldicos.
A cor negra da bordadura evoca a ideia da morte e da sua
coexistência com o símbolo da água (as faixas prateadas) resulta a palavra
Mortágua que figura no foral antigo.
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A grafia Mortágua, protótipo oficial do século XII donde derivou quase sem alteração a ortografia e a pronuncia actual do nome desta vila e concelho (Mortágua), alude à tradição da origem lacustre do centro do concelho. Segundo essa tradição já milenária, a fisionomia lacustre geologicamente indubitável ainda teria sido observada pelos primitivos habitantes e corrigida pela engenharia dum povo invasor. |