DADOS BIOGRÁFICOS

      O concelho de Mortágua é nacional e internacionalmente conhecido pela lenda do juiz de fora, tendo-se destacado pela positiva no sector da produção florestal.

    Apesar dos processos de falência que ocorreram noutros sectores de actividade, Mortágua é hoje um concelho em crescente expansão industrial, a que não são alheios os apoios da autarquia, inclusivamente com a construção de um parque industrial que veio favorecer a sediação de novas empresas.

     O concelho é também visitado a quando da realização do TAP Rallye de Portugal (pontuável para o mundial de rallyes.

     Conta também com um projecto pioneiro em Portugal. A Central Termoeléctrica para aproveitamento energético de resíduos florestais, que pelas suas características peculiares pode ser considerada uma obra de referência em toda a Europa.

     Apesar das suas potencialidades turísticas , tem-se verificado um atrofiamento desta actividade, havendo ainda muito para fazer, só assim se poderá tirar pleno partido e todos os recursos naturais que este concelho oferece, e que o colocam numa posição favorável para o turismo de habitação, turismo rural, turismo ecológico e o turismo verde. Este último é aquele que pelas suas características mais notoriedade poderá trazer para o concelho. 


      A orografia é dominada pela presença da mais turística das serras (depois da Estrela), o Buçaco, enquanto a paisagem e disposição da propriedade patenteiam o principal modo de vida das populações. As terras de Mealhada a Mortágua (quase em linha recta) vão deixando para trás planuras cultivadas em direcção a uma geografia cada vez mais complexa, dominada (ou associada) por vales mais ou menos acentuados.

     O concelho situa-se na paisagem de transição entre a Beira Alta (dominada por serranias e florestas) e a Beira Litoral onde se pressente a maresia da costa. As terras mortaguenses beneficiaram (nos primeiros passos para o desenvolvimento) desta situação, quase no centro de triângulo tendo em cada vértice três grandes cidades: Viseu, Coimbra (a mais próxima) e Aveiro. Esse facto (aliado aos recursos)contribui para a subida de escalão dos municípios a sul da capital do distrito se os compararmos à posição modesta na tabela do progresso dos que ficam a norte. Por outro lado, a proximidade da mais movimentada estrada nacional do país (Porto - Lisboa), da linha férrea da Beira Alta, decidiram resultados positivos na economia geral do município. A recente elevação a cidade da sede comprova-o claramente. 


 

Indicadores Sócio-Económicos

Área Total (Hectares) 24.859 ha
Área Florestal 17.560 ha
Área Agrícola 2.403 ha
Incultos 1.889 ha
Área Social 3.007 ha
Número de freguesias 10
População Residente - 1991 10.662
Densidade Populacional 42.88
Estrutura da População Activa - 1991

-

                                       Primário (%) 34.9
                                       Secundário (%) 34.6
                                       Terciário (%) 30.4
Valor Acrescentado Bruto (1000 esc) - 1989 546.713
Número Total de estabelecimentos (CAE 1 a 9) - 1992 133
Pessoal ao Serviço no Total de Estabelecimentos (CAE 1 a 9) - 1992 1354
Estabelecimentos Hoteleiros (Hóteis, Pensões e outros) - 1993 1
Capacidade Hoteleira (número de camas) - 1993 76
Número de alunos matriculados - Ensino Secundário - 1993/94 232
Número de alunos matriculados - Ensino Superior - 1993/94

-

Número de alunos matriculados em Escolas Profissionais e Artistícas 110
Número de Telefones - 1994 2745
Médicos / 1000 habitantes - 1993 1.71

 


  Pela configuração topográfica e estrutura geológica de parte dos terrenos que compõem o concelho, tem-se a impressão de que na época pré-histórica, todo o vale de Mortágua foi ocupado por um lago de 6 Km de diâmetro, cujas águas, aquando da permanência dos romanos na Península, foram drenadas, em virtude de um corte numa rocha efectuado próximo da povoação de Vale de Açores e de que ainda existem vestígios que dão foros de verdade à tradição que atribui aquele corte aos romanos. Isto mesmo se pode inferir da etimologia da palavra Mortágua, primitivamente Mortalocoa (lagoa morta). Ignora-se a época da formação de Mortágua. Sabe-se, porém, que Fernando Magno e D. Afonso Henriques aqui lutaram contra os Mouros que a custo deixaram estas terras.

     O primeiro foral da vila de Mortágua foi concedido pela rainha D. Dulce, esposa de D. Sancho I em 1192, sendo o segundo de 1403 e o último de 8 de Janeiro de 1514, concedido por D. Manuel, e que se encontra nos arquivos da Câmara Municipal. 


     Apesar de não possuir património construído a atestar a grandeza do passado, não se pense que Mortágua passou despercebida na marcha da História. O povoamento local devemos procurá-lo nos tempos pré - históricos, documentado nas fortificações castrejas, como a do Cabeço do Castro. Ao castro de Mortágua aludem documentos do século X, relativamente a doação ao mosteiro de Lorvão pelo poderoso conde Oveco Garcia (senhor de Stª Comba e de avultados bens): « includit in medio castro de Moratagalo ». Depois da localidade de Sobral, Trezói (« terra do Vouga » na Alta Idade Média) é a que mais se orgulha dos pergaminhos históricos com abundantes referências, anteriores à Nacionalidade. O convento de Trezói (anexo ao de Vacariça) é de crer que tenha desempenhado papel decisivo na ocupação e desbravamento da região. A provar a importância da « terra » estão os forais concedidos por D. Dulce (mulher de Sancho I) em 1192; pelo senhor de Tentúgal e Mortágua, Gonçalo Anes de Sousa (1403) e, finalmente, D. Maunuel I (1514), através das ordenações manuelinas. Espinho foi abadia da apresentação da Casa de Belmonte e Pala (povoação muito antiga), curato da apresentação do convento de Stª Cruz. D. Afonso III doou a vila de Mortágua a D. Teresa Fernandes de Seabra (sua amante) e, anos depois, à bastarda Leonor Afonso que legou muitos bens ao mosteiro de St. ª Clara de Santarém, por testamento de 1292. Por outro lado, a freguesia de Sobral terá sido a localidade do concelho que mereceu grandes atenções da nobreza e família real, sobretudo de « O Bolonhês ». Relativamente a Sobral a lenda conta que um vizinho (calvo) achou a imagem da Virgem junto à toca de castanheiro carcomido. Os habitantes dispuseram-se a fazer capela onde a colocaram. Misteriosamente, a senhora voltava para o local primitivo. Então os devotos desistiram e os de Pala resolveram levantar outro templo, instituindo irmandade e bodo aos pobres (distribuído no terceiro domingo de Outubro) na ermida denominada N. ª Sr. ª do Chão dos Calvos. Nove freguesias do concelho eram obrigadas a comparecer na primeira semana da Quaresma, sob pena de multa aplicada ao chefe de família que, por si ou familiares da casa faltassem. A romaria decaiu com o decorrer dos tempos, substituída pela Feira dos Calvos, como é conhecida.

     O Santuário de S. Salvador do Mundo (ex - líbris da paisagem mortaguense) no cabeço do senhor do Mundo, sobre os alicerces do castro, é local de romaria e miradouro que chama a atenção do visitante, tentado a subi-lo para gozar espectacular panorama sobre veigas e pinhais. O santuário de N. ª Sr.ª do Carmo (dos princípios do século XVII), na Marmeleira (com importante romaria) é monumento de grande significado regional, assim como o santuário de N. ª Sr. ª da Ribeira (do mesmo século). A igreja matriz e o pelourinho (século XVI) são duas relíquias do património concelhio guardadas ciosamente.



Pelourinho Manuelino (século XVI)

Os principais monumentos do concelho são: Moínho de Sula, Pelourinho Manuelino (século XVI), Igreja Matriz e Pelourinho, Capela do século XIX em Vale de Açores, Casa Brasonada em Vale de Açores.



  As principais romarias e festas do concelho são as seguintes:

- Festa do Nosso Senhor do Mundo (Maio - Mortágua)

- Festas dos Santos Populares (Junho - Barril, Gândara, Vila Moinhos e Vila Gosendo)

- Festa do Mortágua Futebol Clube (Agosto - Mortágua)

- Festa da Juventude (Agosto - Mortágua)

- Festival Nacional de Folclore (Agosto - Vale de Açores)

- Feira e Romaria Anual com grande concorrência tem lugar na freguesia da Pala (Chão de Calvos) no terceiro Domingo de Outubro (Feira dos Calvos)

- Mercado de Vale de Açores, de 15 em 15 dias.


As principais artes e ofícios tradicionais deste concelho são: mantas artesanais feitas em trapos e mantas em linho, loiças de barro, artigos em vime feitos à mão, rendas e bordados e latoaria. 

   
 

"Oleiro"

 

Algumas destas actividades caíram em desuso, por dificuldades diversas que se prendem com a oferta de produtos oriundos da indústria e também devido ao êxodo populacional do concelho, a partir dos anos sessenta, emigrada para diversos países da Europa.