FILHOS ILUSTRES DE MORTÁGUA
| O jornalista, professor e poeta, José Tomás da Fonseca; |
| O escritor, António José Branquinho da Fonseca; |
| O escritor e pedagogo José Lopes de Oliveira; |
| O Dr. José Assis e Santos; |
| O DR. João Lopes de Morais; |
| e o Padre Sebastião do Monte Calvário. |
O jornalista, professor e poeta, Tomás da Fonseca:
Filho de Adelino José Tomás e de Rosa Maria Tomás, nasceu na povoação de Laceiras, Freguesia de Pala no dia 10 de Março de 1887.
Frequentou no Seminário de Coimbra o curso de Teologia, que acabou por abandonar. Evidenciou-se desde novo, na propaganda republicana e foi uma das figuras mais relevantes da campanha acidentada que precedeu à implantação da República em 1910.
Depois, durante os primeiros tempos do Novo Regime, colaborou em todos os grandes actos, especialmente nas reformas do campo de ensino, desde o básico ao universitário; de polémico publicista, foi ardoso defensor da causa da instrução popular e uma das mais nobres figuras cívicas da história da 1ª República.
Foi jornalista, professor, poeta, ensaísta e grande erudito.
Em 12 de Fevereiro de 1968, morre em Lisboa, depois de estar há já alguns anos retido no leito, mas sem nunca alguém ter notado "a sua fé ou o seu romantismo diminuído".
O seu busto, situado no largo fronteiro à Câmara Municipal, perpetua a sua existência.
O escritor, António José Branquinho da Fonseca:
Filho de D. Clotilde Branquinho e do escritor Tomás da Fonseca, nasceu em Mortágua a 4 de Maio de 1905.
Frequentou em Lisboa os primeiros anos do curso liceal. Com 16 anos parte para Coimbra onde terminou os seus estudos secundários e, matricula-se depois na Faculdade de Direito, cujo curso completa em Julho de 1930.
Participa, ainda estudante, na fundação da revista "Triplico", de que em 1924 e 1925 saíram 9 números. A sua colaboração é muitas vezes subscrita por António Madeira, pseudónimo que só abandonará em 1924.
No ano seguinte é provido no lugar de Conservador no Museu Biblioteca Conde de Castro Guimarães - Cascais - e é aí que trata de pôr em prática a primeira experiência de bibliotecas itinerantes realizadas em Portugal.
O escritor e pedagogo José Lopes de Oliveira:
Filho de João Lopes de Oliveira e de Maria Madalena de Jesus, José Lopes de Oliveira, nasceu na antiga rua do povo, hoje denominada rua Dr. José Lopes de Oliveira, em Vale de Açores, no ano de 1886.
Na Universidade de Coimbra formou-se em História.
Fixou residência na Parede, concelho de Cascais e leccionou no Liceu Passos Manuel, até ao limite de idade.
Era conhecido pelos seus alunos por "Pai Lopes", de tal forma tratava quantos o rodeavam.
Filho de gente humilde, cedo teve que leccionar para fazer face às despesas. Seu padrinho, pai do Prof. Tomás da Fonseca, vendo nele qualidades de estudo e inteligência, muito o ajudou.
Ainda jovem estudante colaborou em jornais, revistas e panfletos, sendo considerado pelo amor ao estudo e pela defesa que fazia dos seus ideais republicanos. Assim se tornou um prosador forte, sugestivo e original, com qualidades superiores de escritor. Foi convidado para Ministro do Governo Provisório, mas por modéstia do seu temperamento e formação recusou. Foi preso várias vezes.
Faleceu com 85 anos de idade.
O Dr. José Assis e Santos:
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Que se
dedicou à investigação da história de Mortágua, deixando as seguintes
obras: |
O DR. João Lopes de Morais:
"Antes de nos debruçarmos sobre a figura do DR. João Lopes de Morais, evocamos como forma de elucidação, alguns leitores dos factos relativamente históricos destes acontecimentos!
Em 1890, foi proposto à Câmara Municipal de Mortágua, pelo camarista Prof. Martins e Abreu, o nome de uma rua que perpetuasse a figura do Prof. De Medicina João Lopes de Moraes. Sabemos que a proposta foi recusada por motivos políticos, mas mais tarde aceite.
Portanto, como era lógico, esse tão antigo arruamento que fez parte da antiga "estarda real" que partindo de Coimbra tinha o seu percurso por: -Eiras, Botão, Galhardo, Marmeleira, (Freirigo), Benfeita, Cortegaça, Vale de Açores, (onde pernoitava a Família Real), atravessando a Vila, Barril, Cris, com destino a Viseu.
Assim pela actual e modernizada rua desta grande figura pública do século XVIII, transitaram, reis, rainhas, príncipes e nobres de Portugal! Só a partir de 1856, foi construída a chamada "estrada da Moura" até à Mealhada.
DR. JOÃO LOPES DE MORAIS
Conselheiro e Lente da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra. Nasceu na Gândara em 6 de Novembro de 1783, falecendo em 29 de Novembro de 1868. Os seus restos mortais encontram-se em túmulo, no cemitério de Mortágua, depois de terem estado 36 anos no antigo cemitério ao lado da Igreja Matriz.
Filho de gente modesta, casou na Família Tavares que estava nas mesmas condições. Aplicado aos estudos científicos da saúde, licenciou-se muito jovem com as invasões a decorrerem no nosso país.
Em 1820, comandava a 6ª Companhia de Regimento de Milícias de Tondela, em Mortágua, o Cap. Almeida se Sousa de Vale de Açores. Quando D. Miguel se pôs à frente dos absolutistas, apareceu em Coimbra um cónego, Martins Tavares que conseguiu tornar-se tesoureiro do bispado. Foi nesta altura que se constituiu a Casa da Gândara, com terrenos usurpados a vários rendeiros. Este cónego tinha uma irmã casada com o Dr. João Lopes de Moraes e um irmão imbecil, destituído de sentimentos a quem fez subir ao posto de Cap. Mór, com muito escândalo na época.
Feito capitão-Mór, num tempo conflituoso, com a tesouraria do Bispado na Família, boçal e atrevido, ajustou contas com todos os que o desprezavam como cavador ignorante.
As suas brutalidades provocaram comentários do seu cunhado Lopes de Morais, Doutor em Medicina e a mais cultivada capacidade que havia então no nosso concelho. Por isso, em 1828, provado o seu liberalismo, foi preso e conduzido às masmorras de Almeida a abarrotar de "criminosos" do mesmo delito, por ordem do seu cunhado Cap. - Mór.
Em Mortágua naquele tempo quem não era Miguelista tinha o mesmo destino que o Dr. Lopes de Morais!
O Lourenço do Coval da Família de Francisco Cascão era então um homem de acção. Como Presidente da Câmara, mandara construir os Paços do Concelho e encarregara depois o Grifo de Vale de Açores, de construir-lhe também uma casa ali perto. Ora o Grifo aproveitou para a casa particular alguns materiais da cadeia. Fora feita uma devassa e o Presidente foi preso para o Porto, sendo mais tarde libertado. Assim que chegou a Mortágua, os voluntários Miguelistas assaltaram-lhe a sua casa no Coval e o Lourenço foi preso e muito ferido, amarrado e conduzido ao Páteo da Gândara em Triunfo, tendo falecido na prisão.
Na altura o Dr. Lopes de Morais, foi uma providência para os presos das masmorras atulhadas de Almeida, onde gozava de muitas graças do Governador que com ele comia à mesa. Mais tarde, banido em parte, o Miguelismo, foi permitido ao Dr. João que viesse a Mortágua, mas ele não aceitou, dizendo: -Aqui estou melhor, livre de voluntários de meu cunhado."
Armando Lopes Simões
in Defesa da Beira, Nº 2898, 25/02/2000, p. 2
Natural da Marmeleira, concelho de Mortágua.
Formou-se m Coimbra e quis fundar, nos finais do Séc XVI, um mosteiro na sede da sua freguesia natal.
Gastou toda a sua fortuna na edificação e, ainda, se podem ver as ruínas a noroeste do povoado.
Como D. Sancho de Noronha tinha a soberania da Marmeleira, não autorizou a aplicação das rendas da Igreja no acabamento do Mosteiro.
O Padre Sebastião era pessoa muito erudita e respeitada, trabalhador e humanista e seu nome figura, com justiça, na história de Mortágua.